Dizem que correr uma maratona é coisa para loucos, e no dia 29 de junho pude ver milhares de loucos em disparate pelas ruas do Rio de Janeiro, e dentre eles, lá estava eu em minha primeira maratona com o objetivo de agregar mais esta experiência esportiva e sentir na pele o que todos que já completaram me diziam.E senti mesmo! No começo tudo tudo é novidade, tudo é alegria para quem é a primeira vez, e à medida que os quilômetros vão passando a história vai mudando aos poucos, pelo menos para mim, havia mentalmente dividido a prova em parciais de tempo de uma de 10 km, uma de 21km, uma de 36km e o resto iria depender destas parciais. Tudo corria bem até os 21Km quando havia passado num ritmo que poderia fechar a prova com 03:35:00; mas eis que vem a tal falada barreira dos 30Km, acho que o efeito psicológico e alto indice de estresse em que eu estava começaram a pesar quando passado 28 km, daí parecia que tinha furado uma mangueira de combustivel e aos poucos, por mais que tentasse não conseguia mais segurar o ritmo e cada vez mais ia diminuindo até começar a caminhar, e mesmo assim estava sendo um martírio, até chegar no km38 quando não conseguia mais sustentar nem o peso do corpo e sem muita noção do que estava sentindo, tive que sentar para descançar um pouco. Aí que tudo piorou mesmo, começaram calafrios seguindo por ondas de muito calor, minhas mãos adormeceram e meus braços encurvaram para dentro e quando tentava massageá-los, deu uma caibra daquelas na parte interna da coxa que me fez rolar de dor, muitos passavam e perguntavam se precisava de ajuda mas pouco poderiam ajudar naquela hora.
Depois de mais de meia hora, deu uma melhorada e levantei para continuar minha luta, só faltavam 04 km que pareciam não ter fim, tentei trotar mais era impossível a esta altura da prova, então continuei caminhando até chegar no km40 quando parei no posto médico para que me ajudassem e na mesma hora já me colocaram para dentro da ambulância, pois já estava com extrema exaustão, inconformado por só faltar 2 km insisti que me liberassem para continuar, mas o médico foi taxativo e não me autorizou, alí fiquei por mais umas meia hora em observação quando ele ligou a sirene e me levou para o posto médico que ficava na chegada da maratona, sem muita força mostrei estar bem para o médico e pedi para que ele deixasse eu pelo menos voltar alguns metros para passar pela grade e cruzar a linha de chegada e enfim pegar a minha medalha depois de mais de cinco horas de prova. Disse a ele que depois de tanto sacrifício e sofrimento se eu não pegasse a medalha seria muita sacanagem!
Com medalha na mão e a sensação do dever cumprido, pelo menos em parte, senti uma outra sensação estranha, era uma sensação de dor misturada com prazer, daquelas que mesmo depois de tudo que passei, ainda me fazia pensar como será a próxima maratona. Depois voltei ao posto médico e por alí fiquei deitado em observação sentindo muito mal até a Aline chegar junto com meu irmão o Deives e a Suelem.
Provas como esta não basta somente um bom preparo físico, é preciso também de um ótimo preparo psicológico para trabalhar a paciência e suportar a dor por mais tempo, e coisas como esta você não aprende em planilhas e sim fazendo.
Contudo meu tempo foi 05:27:25
Colocação geral: 1538º/1618
Colocação categoria: 211º